terça-feira, 23 de março de 2010

O anel


Um aluno chegou a seu professor com um problema:
- Venho aqui, professor, porque me sinto tão pouca coisa, que não
tenho forças para fazer nada. Dizem que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota. Como posso melhorar?
O que posso fazer para que me valorizem mais?
O professor sem olhá-lo, disse:

Sinto muito meu jovem, mas agora não posso ajudá-lo. Devo primeiro resolver o meu próprio problema. Talvez, depois.
E fazendo uma pausa falou:
- Se você me ajudar, eu posso resolver meu problema com mais
rapidez e depois, talvez, possa ajudar você a resolver o seu…

- Claro, professor! - gaguejou o jovem, mas se sentiu outra vez desvalorizado.

O professor tirou um anel que usava no dedo pequeno, deu ao garoto e disse:
- Monte no cavalo e vá até o mercado. Deve vender esse anel porque tenho que pagar uma dívida. É preciso que obtenha pelo anel o máximo possível, mas não aceite menos que uma moeda de ouro. Vá e volte com a moeda o mais rápido possível!

O jovem pegou o anel e partiu.

Mal chegou ao mercado começou a oferecer o anel aos mercadores.
Eles olhavam com algum interesse, até quando o jovem dizia o quanto pretendia pelo anel.

Quando o jovem mencionava uma moeda de ouro, alguns riam, outros saiam sem ao menos olhar para ele, mas só um velhinho foi amável a ponto de explicar que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar um anel.

Tentando ajudar o jovem, chegaram a oferecer uma moeda de prata e uma xícara de cobre, mas o jovem seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas.

Depois de oferecer a jóia a todos que passavam pelo mercado, abatido pelo fracasso montou no cavalo e voltou. O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel, assim livrando a preocupação de seu professor para, assim, poder receber a sua ajuda e conselhos.

Entrou na casa e disse:

- Professor, sinto muito, mas é impossível conseguir o que me pediu. Talvez pudesse conseguir duas ou três moedas de prata, mas não acho que se possa enganar ninguém sobre o valor do anel.

- Importante o que me disse, meu jovem - contestou sorridente. Devemos saber primeiro o valor do anel. Volte a montar no cavalo e vá até o joalheiro. Quem melhor para saber o valor exato do anel? Diga que quer vender o anel e pergunte quanto ele te dá por ele. Mas não importa o quanto ele te ofereça, não o venda. Volte aqui com o meu anel.

O jovem foi até ao joalheiro e lhe deu o anel para examinar. O joalheiro examinou o anel com uma lupa, pesou o anel e disse:
- Diga ao seu professor que, se ele quer vender agora, não posso dar mais que 58 moedas de ouro.
- 58 MOEDAS DE OURO! - exclamou o jovem.
- Sim, replicou o joalheiro, eu sei que com tempo eu poderia oferecer cerca de 70 moedas, mas se a venda é urgente...
O jovem correu emocionado à casa do professor para contar o que ocorreu.

- Sente-se, disse o professor.
E depois de ouvir tudo que o jovem lhe contou, falou calmamente:
- Você é como esse anel, uma jóia valiosa e única. Só pode ser avaliada por um especialista. Pensava que qualquer um podia descobrir o seu verdadeiro valor?
E dizendo isso voltou a colocar o anel no dedo.

Todos nós somos como essa jóia. Valiosos e únicos, andamos por todos os mercados da vida pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem. Só o especialista, Jesus, o Grande Joalheiro, sabe o seu real valor. Por isso, nunca aceite que a vida desminta isso...

Repense o seu valor!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Empresa Bonsai

http://br.hsmglobal.com/adjuntos/14/imagenes/000/082/0000082001.jpg?2048036033&

Gestão
Entenda o conceito de "Empresa Bonsai"

A palavra "bonsai" identifica uma técnica japonesa utilizada para inibir o crescimento de determinadas plantas. Veja a explicação do que significa ‘empresa bonsai’.

Como já deve ser do conhecimento do leitor, a palavra "bonsai" identifica uma técnica japonesa utilizada para inibir o crescimento de determinadas plantas cultivadas em vasos. Mas o que indicaria a expressão "empresa bonsai"?

Para explicar esta expressão, sirvo-me da triste história apresentada a seguir: Faz algum tempo, fui convidado por Renata, herdeira de uma empresa metalúrgica, para um almoço. Nos conhecemos há cerca de uns sete anos, quando ela solicitou uma proposta para aperfeiçoamento da estrutura organizacional desta empresa, acreditando que seria a coordenadora deste trabalho.

A proposta foi apresentada primeiramente a ela e, depois, para seu pai que, apesar dos seus vários pedidos de esclarecimento e das várias promessas de pensar a respeito do assunto, nunca permitiu que os trabalhos previstos na proposta fossem realizados. Sem dúvida ela ficou frustrada. Ao longo do tempo, outras sugestões suas foram desprezadas. Mas o que a levou a desistir de atuar com seu pai, foi ouvi-lo dizer que a ela faltava "intuição para o negócio".

Durante o almoço, Renata comentou a situação da empresa que ela herdara com a morte de seu pai: poucos e antigos clientes cheios de privilégios, equipamentos e processos arcaicos, empregados acomodados e defasados; aspectos que juntos só se sustentavam porque todos os bens da empresa e os particulares de seu pai estavam comprometidos com bancos. Portanto, não lhe restava (segundo o seu entendimento) nenhuma alternativa senão fechar a empresa e ficar conhecida na cidade, como aquela que não teve competência para dar continuidade a um empreendimento que o pai havia preservado durante mais de quarenta anos.

Buscando um meio para explicar-lhe o ocorrido naquela empresa de tal forma que ela percebesse não adiantar se sentir culpada nem acreditar que haveria outra saída, recorri a uma comparação entre sua empresa e um bonsai.

Seu pai havia cuidado daquela metalúrgica durante muito tempo como se fosse uma destas arvorezinhas mantidas em pequenos vasos, que servem somente como ornamento. O orgulho do patriarca era participar das reuniões do grupo de empresários da cidade, do qual era um dos fundadores, podendo sempre afirmar que não devia nada a fornecedores, não tinha nenhum processo contra sua empresa na justiça trabalhista, nem deixava de cumprir seus compromissos junto aos seus clientes.

Ou seja, a sua empresa-bonsai tinha folhas verdes, seu tronco era firme e livre de pragas, suas raízes ocupavam todo o espaço do pequeno vaso onde estava aprisionada, sendo permanentemente cortadas pelo empresário que não a desejava maior do que aquilo que ele era capaz de dominar e controlar. Portanto, nutria a empresa com o suficiente para continuar viva, mas não lhe dava a menor chance de se desenvolver. Assim, ele e sua empresa permaneciam isolados sem agredir e sem serem agredidos. Impedindo que a filha participasse efetivamente do mundo dos negócios, mantinha alguns traços vitais qual um paciente em coma mantido vivo com a ajuda de aparelhos. Porém, não tinha vitalidade.

A arvorezinha não dava sombra para abrigar processos saudáveis, capazes de fornecer frutos generosos e disputados pelos clientes, pois de tanto ser podada se via na total impossibilidade de conquistar outros atributos e, acanhadamente, se contentava com a longevidade.

Agindo desta maneira, o patriarca somente preservou seu orgulho. Este foi seu único patrimônio. A dor e a vergonha de Renata são somente parte do preço pago para manter a frágil imagem de empresa saudável dirigida por um empresário autoritário e centralizador. Para Renata, não restou alternativa senão fechar a empresa, enfrentar a opinião pública com serenidade, perdoar seu pai e prosseguir na sua carreira.

sábado, 14 de novembro de 2009

Elegância

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, por exemplo. Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

Oferecer flores é sempre elegante. É elegante não ficar espaçoso demais.

É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer... porém, é elegante reconhecer o esforço, a amizade e as qualidades dos outros.

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade.

É elegante o silêncio, diante de uma rejeição...

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante. É elegante a gentileza.

Atitudes gentis falam mais que mil imagens... Abrir a porta para alguém é muito elegante... Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante... Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma... Oferecer ajuda... é muito elegante... Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente elegante...

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os desafetos é que não irão desfrutá-la.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Profissional Classe A

Como ser um profissional classe A? Veja as dicas do especialista

O mundo dos negócios tornou-se extremamente complexo, veloz, imprevisível e passou a exigir cada vez mais de seus colaboradores em todos os sentidos: saúde física, agilidade mental, intelecto refinado, psique em equilíbrio e outros. Nesse ambiente aqueles que não se destacarem, fatalmente serão marginalizados.

O presidente da Gutemberg Consultores, Gutemberg B. de Macedo, ressalta que desde a Antiguidade os homens passaram a classificar as pessoas por suas capacidades, assim como fez Sócrates, filósofo ateniense, que classificava os indivíduos por suas virtudes, beleza, inteligência e habilidades. No mundo corporativo não é diferente. Atualmente, as organizações exigem cada vez mais de seus funcionários e os classifica de acordo com o desempenho de cada um, afirma o consultor.


Para Gutemberg, ser um profissional classe A é ser responsável, ter atitudes, não deixar a própria carreira depender de outros profissionais, estar sempre atento aos acontecimentos à sua volta e traçar o próprio destino. "Antigamente eram as empresas que decidiam quais atividades seriam destinadas para cada tipo de profissional, e o mesmo apenas obedecia. Hoje, é o profissional que cria seu próprio destino, ele é responsável por si só", completa Gutemberg.

O presidente da Gutemberg Consultores dá 14 dicas de como se tornar um profissional classe A nesse mundo tão competitivo:

1 - Criar o seu próprio destino: ser um profissional de caráter, batalhador, responsável, acreditar em si mesmo e saber aonde e como chegar;

2 - Ser singular: buscar sempre um diferencial e expor suas ideias sem medo de enfrentar ou discordar de outros profissionais de cargos superiores;

3 - Nadar contra a correnteza: discordar da opinião dos outros e não desistir de suas próprias ideias, confiar em si próprio, ter conhecimentos e saber o que diz;

4 - Não deixar para amanhã aquilo que pode ser feito hoje: ser determinado, administrar seu tempo e conseguir separar as tarefas que têm mais urgência das que não são tão importantes. Desta forma, o profissional consegue gerenciar melhor o seu tempo e realizar todas as pendências do dia;

5 - Não permitir que o executivo viva em detrimento do homem: não sacrificar sua vida pessoal por causa da vida profissional, pois mais cedo ou mais tarde ela poderá acabar com sua saúde e família;

6 - Fazer avaliações periódicas de si mesmo nos âmbitos pessoal, familiar e profissional: o profissional classe A deve perguntar-se diariamente sobre o que fez no dia e avaliar se aquilo foi o correto ou se poderia ter desempenhado melhor algum tipo de tarefa. Deve também, algumas vezes durante o ano, pedir um feedback ao chefe para saber como está sendo visto dentro da empresa. De maneira nenhuma se virar contra ele, caso faça críticas sobre o seu desempenho, pois só com as críticas o profissional poderá saber onde e como melhorar;

7 - Ser intolerante diante da complacência e da mediocridade: é importante procurar sempre o melhor para si, para sua família e carreira, nunca deve tolerar um trabalho inferior. Procurar ser sempre superior e se destacar em todas as tarefas que for desenvolver;

8 - Buscar e formar alianças estratégicas: ninguém sobrevive sozinho, por isso deve-se sempre construir e cultivar amizades positivas, pois é criando laços que muitas vezes o profissional consegue alcançar o sucesso no mercado de trabalho;

9 - Prestar atenção aos detalhes, mas manter-se atento ao global: ser uma pessoa bem informada, atenta a todos os acontecimentos mundiais e às ideias de outras pessoas ao redor do mundo. É importante saber exatamente tudo o que acontece dentro do mercado de trabalho e quais os impactos que pode sofrer em sua carreira;

10 - Demandar a excelência em tudo o que empreender: ser seguro de suas opiniões, procurar destacar-se entre os outros profissionais e ser uma pessoa que, independente de qualquer ocasião, está bem vestida e sabe se comunicar;

11 - Focalizar os pontos fortes das pessoas e não as suas vulnerabilidades: buscar sempre os pontos fortes dos outros profissionais e procurar aprender com essas características;

12 - Ouvir mais do que falar: comunicar-se adequadamente e saber escutar o que lhe é dito; dessa forma, consegue pensar no que vai falar, pois deve saber que uma frase mal interpretada pode acabar com sua vida profissional;

13 - Trabalhar duro e disciplinadamente: ter vontade de aprender, ser ambicioso, focado, disciplinado, não esperar que as coisas simplesmente aconteçam, ir atrás de seus objetivos, dessa maneira fica mais fácil conquistá-los;

14 - Se considerar "stewards" da companhia na qual trabalha: colocar-se no lugar do cliente e então atender a todos da maneira como gostaria de ser atendido.

Café da Manhã com Deus - 21/10/2009

Continuando com as Bem-aventuranças, em Mateus 5, lembrando que o significado é felicidade, hoje conversaremos sobre a segunda:
"Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados".

Em quais tipos de momentos você chora em sua vida?
Alegria? Felicidade? Dificuldade? Tristeza? Dor? Arrependimento?

Alguns de nós mais, outros menos, mas todos nós choramos (nem que internamente, sem derramamento de lágrimas).
Reparou que geralmente choramos em momentos extremos?
Não choramos por qualquer dor, alegria ou arrependimento.
Choramos por uma intensa dor, alegria ou arrependimento.

O que significa intensidade para você? Alguma coisa intensa é alguma coisa forte.
E a intensidade dos nossos sentimentos é regulada pela nossa sensibilidade emocional.
Assistir a um filme triste tem impactos diferentes dependendo do nosso estado emocional, concorda?
Mesmo filme --> impactos diferentes.

Bom, o que eu quero dizer com tudo isso?

Que Deus não quer que nossas dores, tristezas aumentem para chorarmos mais.
Deus quer que a nossa sensibilidade aumente com relação a elas de forma que possamos, com os corações contritos, sermos consolados por Ele.
Mesmo sentimento --> percepções diferentes da presença de Deus.

De acordo com o grau de arrependimento de nossos pecados, nos sentimos mais (ou menos) consolados por Deus.

Sempre temos a atenção de Deus para conosco, mas só a percebemos quando estamos sensíveis a ela.

E como é bom ser consolado por quem nos ama, não é verdade?

Reflita sobre o assunto nos próximos 3 minutos e deixe Deus falar contigo.

Deus te abençoe!

Café da Manhã com Deus - 20/10/2009

Estudando a Palavra de Deus, hoje pela manhã, deparei-me com as Bem-aventuranças, em Mateus 5.
Bem-aventurança significa Felicidade, ou seja, bem-aventurados são felizes.
No primeiro versículo com as palavras de Jesus, encontramos "Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos Céus".

O que você entende por "pobre em espírito"?
"Pobre em dinheiro" - Alguém que não possui dinheiro suficiente para as suas necessidades e depende de recursos externos para supri-las.
"Pobre em conhecimento" - Alguém que depende de ensinamentos para compreender os acontecimentos e situações em sua vida.

Por analogia, se somos pobres em espírito, possuímos maior dependência do Espírito Santo de Deus para suprir nossas necessidades espirituais e preencher nossas vidas.
Se somos ricos em espírito, somos muito orgulhosos para admitir essa dependência.

Como é difícil uma pessoa que domina determinado assunto aceitar sugestões de outras pessoas, não é mesmo?

Sejamos pobres, ou humildes em espírito para permitir que Deus aja livremente em nossas vidas e seremos bem-aventurados, ou seja, felizes e possuiremos o Reino dos Céus! Peçamos a Deus que nos auxilie a sermos assim. Peçamos a Deus uns pelos outros também.

Peço por você neste momento.

Deus te abençoe!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Porque os projetos de ERP fracassam

Especialistas apontam os principais erros cometidos pelas empresas em implantações de sistemas de gestão.
Por Rodrigo Caetano, da Computerworld
19 de agosto de 2009 - 07h00

Grandes projetos, grandes problemas. Não importa a metodologia utilizada, a ferramenta escolhida e o tamanho da equipe. É comum, até demais, que implementações de sistemas de gestão (ERP) fracassem. Prazos são estourados, orçamentos vão muito além do limite e os resultados não correspondem às expectativas das áreas de negócios.

Mesmo projetos bem sucedidos enfrentam problemas no seu decorrer. Sejam eles motivados pela cultura da empresa, por mau planejamento ou briga de egos, os percalços acabam custando caro para as companhias. Afinal, no mundo dos negócios, tempo é dinheiro e sistema que não funciona é igual a processos que não funcionam.

Segundo a consultoria Gartner, a segunda maior prioridade dos executivos de tecnologias para este ano é implementar ou atualizar o sistema de gestão. A vice-presidente de pesquisas da empresa, Ione Coco, afirma que o cenário não deve mudar, pelo menos, até 2012. O que leva a uma reflexão: apesar de tão importantes, por que os projetos de ERP fracassam?

Apontar uma razão principal é difícil, mas, segundo especialistas, existem alguns fatores comuns encontrados nas empresas que, fatalmente, levam ao mau resultado. O primeiro não tem nada a ver com questões técnicas, mas sim com a cultura das organizações. Segundo Ione, as empresas, e principalmente os departamentos de TI, precisam saber o que esperar de um projeto. Estimativas altas demais, ou mesmo com foco errado, comprometem todo o trabalho, não importa se foi bem feito.

Para o sócio da consultoria Mondo Strategies, especializada em gestão integrada de software, Ernani Ferrari, o problema das estimativas ainda vai além do resultado. As empresas têm dificuldades para prever a quantidade de tempo e recursos necessários para a conclusão do projeto. Como conseqüência, tendem a acelerar uma das pontas do processo, pulando etapas e cortando custos, prejudicando as demais.

Em apresentação feita durante evento promovido pela Associação de Usuários SAP do Brasil (Asug), entidade que reúne clientes da fornecedora alemã de sistemas de gestão, o diretor do capítulo São Paulo do Project Management Institute (PMI), Paulo Moraes, apontou alguns pontos que fazem a diferença na hora de iniciar um projeto. O PMI é uma associação sem fins lucrativos que desenvolve estudos sobre o gerenciamento de projetos. Área onde, geralmente, começam os problemas.

Confira as dicas do executivo:

- Falta de uma camada de gerenciamento de projetos: no mínimo, a empresas precisa conhecer as melhores práticas de gerenciamento descritas no PMBOK, principal publicação feita pelo PMI. Mas, qualquer metodologia serve, desde que esteja presente.

- Falha no planejamento do projeto: essa talvez seja a fase mais crítica de um projeto. Segundo Moraes, as empresas não pode ter preguiça de escrever, fazer diagramas, relatórios, etc.

- Processos críticos de negócios mal definidos: quase uma conseqüência do mau planejamento. Fatalmente, caso isso aconteça, a empresa terá de fazer mudanças no sistema depois de estar pronto.

- Falha em detalhar os processos nas pontas: caso a empresa não conheça exatamente a rotina das pessoas que vão, de fato, utilizar o sistema, fatalmente fará algo inútil ou complicado demais.

- Falta de envolvimento do pessoal das pontas: Moraes conta uma história curiosa. Determinada empresa, após implementar um novo ERP, começou a ter problemas com a qualidade dos dados. Após meses de investigação, descobriu que os operadores de empilhadeira, responsáveis pela coleta dos dados nos armazéns da companhia, não conseguiam digitar corretamente nos computadores de mão por usarem luvas. Este pequeno detalhe acabava comprometendo todo o processo.

- Falha em preparar o sistema para agüentar os picos de utilização: nenhum sistema é utilizado com a mesma freqüência o tempo inteiro. É preciso saber o quanto ele agüenta e quanto terá de agüentar, quando for exigido em carga máxima.

- Evangelizar os patrocinadores do projeto: tudo tem de estar escrito. “Se não está explicitamente indicado, está implicitamente excluído”, afirma Moraes. Todos os envolvidos no projeto precisam ter consciência do que está no papel e saber que é isso que será realizado, nada menos, nada mais.

- Iniciar a implantação antes de definir o escopo: nada acontece antes que o cronograma e os recursos estejam bem definidos e formalmente aprovados.

- Estouro do escopo: estratégias e cenários econômicos mudam, mas não é possível modificar o projeto a cada novidade de mercado. Por isso é fundamental ter um sistema bem definido de gerenciamento de mudanças.

- Grandes modificações de software padrão: um sistema SAP, segundo Moraes, faz muita coisa. Antes de modificar o software, certifique-se, realmente, que isso é necessário.

- Falhas de testes: de 20% a 40% do tempo total de projeto deve estar reservado para os testes. E eles só são válidos se forem devidamente documentados.

- Falta de treinamento: é um erro reduzir o custo do projeto cortando o treinamento. É necessário ter um plano de treinamento, que serve, também, para avaliar o conhecimento dos usuários.

- Falhas ao carregar os dados no sistema: um sistema ERP gera mudanças culturais na empresa. Muitas vezes, os funcionários estão acostumados a usar diversos sistemas legados, cada um referente a uma determinada época. Por isso é preciso definir o alcance do novo sistema. Falta de dados também é um problema. Se um usuário diz que precisa trabalhar com determinada informação, não significa, necessariamente, que ela exista.

- Falha no “cut over”: a data de inauguração do novo sistema, e desligamento de antigo, deve estar definida e o processo planejado. É impossível fazer isso sem causar impacto. Este plano tem de ser discutido já na fase de planejamento do projeto.

- Falhas após o “go live”: depois de estar tudo funcionando, não é difícil se deparar com um time de suporte mal dimensionado. Outros problemas são a falta de documentação e falhas no entendimento das responsabilidades dos envolvidos.

- Deixar os testes para depois do “go live”: testes devem ser feitos durante a fase de testes. Testar quando o usuário está precisando da ferramenta dará dor de cabeça, com absoluta certeza.

Fonte: ComputerWorld (http://computerworld.uol.com.br/gestao/2009/08/18/porque-os-projetos-de-erp-fracassam/)